Controle da amônia na produção avícola: impacto produtivo, sanitário e estratégias de intervenção na cama

A amônia é um dos principais fatores limitantes na produção avícola intensiva. Sua acumulação nos galpões impacta diretamente a saúde das aves, o desempenho produtivo e o meio ambiente. Compreender sua origem e desenvolver estratégias eficazes de controle é fundamental para melhorar a eficiência e a sustentabilidade do sistema.

Introdução: o ar como insumo produtivo

Na produção avícola moderna, variáveis como nutrição, genética e sanidade têm sido amplamente otimizadas. No entanto, existe um fator frequentemente subestimado que condiciona fortemente os resultados produtivos: a qualidade do ar dentro dos galpões.

Entre os diferentes gases presentes no ambiente, a amônia (NH₃) destaca-se como um dos principais agentes de impacto negativo. Sua presença não apenas compromete o bem-estar animal, mas também afeta diretamente parâmetros produtivos-chave, como ganho de peso, conversão alimentar e mortalidade.

Nesse sentido, o controle da amônia deve ser entendido não como uma prática corretiva, mas como uma estratégia estrutural dentro do manejo produtivo.

Origem da amônia: um processo biológico dentro do sistema

A amônia nos galpões avícolas é gerada a partir da decomposição microbiana do nitrogênio presente nas excretas das aves. Esse nitrogênio, proveniente principalmente do excesso de proteína não aproveitada no metabolismo, é excretado na forma de ácido úrico e ureia.

Uma vez na cama, esses compostos são degradados pela microbiota presente — especialmente bactérias com atividade uricolítica e ureolítica — gerando amônia como produto final.

Esse processo é condicionado por múltiplas variáveis, entre as quais se destacam:

  • Umidade da cama
  • Temperatura
  • pH
  • Ventilação
  • Reutilização da cama

Dessa forma, a cama deixa de ser um simples resíduo para se tornar um sistema biológico ativo que regula a dinâmica de geração de amônia dentro do galpão.

Impacto da amônia no desempenho produtivo

Diversos estudos demonstram que a amônia exerce efeitos negativos diretos sobre o desempenho produtivo das aves, mesmo em concentrações relativamente baixas.

Entre os principais impactos destacam-se:

  • Redução do consumo de ração
  • Piora da conversão alimentar
  • Menor ganho de peso
  • Aumento da mortalidade

Exposições prolongadas a concentrações entre 25 e 50 ppm podem gerar perdas produtivas significativas, enquanto níveis mais elevados intensificam esses efeitos e comprometem a eficiência global do sistema.

Impacto sanitário e no bem-estar animal

Além do impacto produtivo, a amônia atua como um agente irritante que afeta diretamente a saúde das aves.

No sistema respiratório, causa danos às mucosas e aos cílios traqueais, reduzindo a capacidade de defesa contra patógenos. Isso resulta em maior susceptibilidade a doenças respiratórias e infecções secundárias.

Também são observados efeitos oculares (conjuntivite) e dérmicos, destacando-se a ocorrência de pododermatite, lesões de peito e outros problemas associados ao contato prolongado com camas de baixa qualidade.

Do ponto de vista do bem-estar animal, esses efeitos impactam diretamente a qualidade de carcaça e os padrões exigidos pelos mercados.

Limitações do manejo tradicional

O controle da amônia em campo é frequentemente realizado por meio de práticas tradicionais, como:

  • Aumento da ventilação
  • Revolvimento da cama
  • Uso de cal

Entretanto, essas estratégias apresentam limitações importantes. Em muitos casos, não atuam sobre a origem do problema, mas apenas mitigam seus efeitos ou até mesmo o agravam.

Por exemplo, o uso de cal pode aumentar a volatilização da amônia, enquanto a ventilação excessiva pode gerar perdas térmicas e aumento dos custos operacionais.

Isso evidencia a necessidade de soluções que atuem diretamente sobre a dinâmica de geração do NH₃.

Intervenção na cama: uma mudança de abordagem

Considerando que a produção de amônia ocorre principalmente na cama, as estratégias mais eficazes são aquelas que atuam diretamente sobre esse sistema.

Nesse contexto, o uso de tecnologias específicas para o tratamento da cama permite:

  • Reduzir a volatilização da amônia
  • Estabilizar o nitrogênio
  • Melhorar a qualidade do substrato
  • Reduzir a carga ambiental do galpão

Essa abordagem representa uma mudança conceitual: passar de controlar as consequências para atuar na origem do problema.

Control Doble A: mecanismo de ação

Dentro dessas estratégias, o Control Doble A se apresenta como uma solução inovadora baseada em um duplo mecanismo de ação.

Por um lado, atua como um buffer ácido, reduzindo o pH da cama a níveis controlados, limitando a volatilização da amônia. Por outro, promove um efeito de troca catiônica, permitindo a fixação do íon amônio (NH₄⁺) em estruturas minerais, evitando sua liberação para o ambiente.

Adicionalmente, o produto favorece a conversão da amônia em uma forma estável de nitrogênio que pode ser posteriormente aproveitada como fertilizante.

Essa abordagem não elimina o nitrogênio do sistema, mas o estabiliza, gerando benefícios produtivos e ambientais.

Validações a campo na América Latina

Desde 2019, a equipe técnica da BeFeed tem conduzido diversas validações a campo em diferentes países da América Latina, avaliando o impacto do produto em condições reais de produção.

Os resultados demonstram reduções significativas nos níveis de amônia:

  • Colômbia: 93%
  • República Dominicana: 74%
  • Peru: 61%
  • Paraguai: 68%
  • Brasil: entre 71% e 84%
  • Argentina: entre 48% e 82% em diferentes condições

Embora exista variabilidade — esperada em função das diferenças de manejo e ambiente — observa-se um padrão consistente de redução da amônia em todos os cenários avaliados.

Meta-análise: consistência dos resultados

Ao integrar todas as validações realizadas entre 2019 e 2025, a análise conjunta demonstra uma redução média superior a 67%.

Esse resultado é particularmente relevante, pois não se baseia em ensaios isolados, mas sim em múltiplas experiências em condições reais de campo.

Isso posiciona o Control Doble A como uma ferramenta tecnicamente validada, com alta reprodutibilidade e aplicabilidade em sistemas avícolas intensivos.

Impacto produtivo e ambiental

A redução da amônia se traduz diretamente em melhorias em:

  • Qualidade do ar no galpão
  • Bem-estar animal
  • Desempenho produtivo
  • Uniformidade dos lotes

Do ponto de vista ambiental, a fixação do nitrogênio na cama reduz as emissões de gases e aumenta o valor agronômico do material, elevando seu potencial como fertilizante.

Conclusão

A amônia representa um dos principais desafios da produção avícola moderna, com impactos diretos sobre a saúde, a produtividade e o meio ambiente.

Seu controle eficaz requer uma abordagem integrada, que combine boas práticas de manejo com ferramentas que atuem diretamente na origem do problema.

Nesse contexto, a intervenção na cama por meio de soluções como o Control Doble A permite não apenas reduzir as emissões de amônia, mas também melhorar a eficiência produtiva e a sustentabilidade do sistema.

Gerenciar a qualidade do ar no galpão não é apenas uma questão ambiental — é uma decisão estratégica que impacta diretamente a rentabilidade da produção avícola.

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